Author Archive: Eloy Rodrigues

Diretor dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho

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Reuniões da Comisária Máire Geoghegan-Quinn sobre o Acesso Aberto à literatura científica

Reuniões da Comisária Máire Geoghegan-Quinn sobre o Acesso Aberto à literatura científica

 

A Comissária Europeia para a Investigação, Inovação e Ciência,  Máire Geoghegan-Quinn, realizou na passada segunda-feira quatro reuniões separadas com diversas entidades e pessoas envolvidas na questão do acesso à informação científica produzida na Europa.

A comissária reuniu com representantes de editores tradicionais, com editores de revistas de Acesso Aberto, com financiadores de investigação e organizações internacionais, e com representantes da comunidade Open Access, numa delegação organizada por Alma Swan, da SPARC Europe, que tive o privilégio de integrar e na qual participaram também Niamh Brennan e  Bo Ohrstrom. 

A representação da comunidade Open Access com a Comissária

 Tive a oportunidade de apresentar e realçar os notáveis progressos realizados no domínio das infraestruturas de repositórios, quer em Portugal (nomeadamente no âmbito do projeto RCAAP), quer a nível europeu em especial no quadro dos projetos OpenAIRE e OpenAIREplus. Defendi também que seria um erro desperdiçar esse investimento e as infraestruturas já existentes, focando as políticas apenas no Gold Open Access, e que pelo contrário esse investimento deveria continuar e ser alargado.

Por isso, manifestei também o meu apoio à política anunciada pela Comissão Europeia, nos termos da Comunicação “Towards better access to scientific information” e das Recomendações aos Estados membros de 17 de Julho. Sublinhei ainda que a atual política da Comissão (requerer a disponibilização através de repositórios e apoiar e promover a publicação de revistas OA) é também a que melhor pode facilitar a convergência e a combinação de políticas, infraestruturas e iniciativas a nível Europeu, nacional e local. De facto, em países como Portugal, sobretudo em tempos de dificuldades económicas como os que vivemos, considerando a boa infraestrutura de repositórios existente a estratégia deverá ser também de requerer  Green Open Access e apoiar o Gold Open Access na medida do possível. Uma estratégia que privilegiasse o Gold OA seria na minha opinião insustentável, já que o país continua a ter que despender recursos na assinatura das revistas, e seria uma má ideia retirar fundos adicionais significativos das actividades de investigação para pagar taxas de publicação.

A comissária reafirmou o empenho da Comissão Europeia em garantir a máxima disseminação, visibilidade e utilização dos resultados da investigação que financia através do Open Access. Aliás, após as reuniões afirmou:

“Open access is about giving European taxpayers a better return on their €87 billion annual public investment in research and development.  Broader and more rapid access to scientific papers and data will make it easier for researchers and businesses to build on the findings of public-funded research. This will boost Europe’s innovation capacity and give citizens quicker access to the benefits of scientific discoveries.”

As orientações políticas da Comissão Europeia estão a ser analisadas numa comissão especializada do Parlamento Europeu, ITRE – Industry, Research and Energy Committee, onde poderão ser modificadas e aprovadas. Julgo ser preciso acompanhar com muita atenção, e com contactos com os deputados que a integram, os trabalhos dessa comissão.

 

Autor: Eloy Rodrigues

Diretor dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho

By 30 de Setembro de 2012 0 Comments Read More →
Entrevista a Alma Swan, a propósito dos 10 anos da BOAI e do estado atual do Acesso Aberto na Europa e no mundo

Entrevista a Alma Swan, a propósito dos 10 anos da BOAI e do estado atual do Acesso Aberto na Europa e no mundo

Richard Poynder, que tem vindo a fazer uma notável série de entrevistas sobre o Open Access, entrevistou Alma Swan, a propósito das novas recomendações para o Acesso Aberto, que resultaram da reunião (conduzida por Alma Swan) realizada no 10º aniversário da BOAI.

A entrevista é muito oportuna, não apenas pela divulgação das novas recomendações da BOAI mas, sobretudo,  pelo facto do último ano, e em particular os últimos meses, ter sido muito rico em acontecimentos relevantes para o Open Access e de a Alma Swan ser uma das pessoas mais informadas e melhor colocadas para os analisar e refletir sobre eles.  Alguns desses acontecimentos foram muito positivos (como a comunicação e a recomendação relativas à informação científica da Comissão Europeia, ou as próprias recomendações de Budapeste), mas outros foram ameaçadores (como a felizmente derrotada iniciativa Research Works Act) ou são mesmo muito preocupantes (como o Relatório Finch e a nova política dos RCUK).

A entrevista revisita alguns destes factos, fornece um ponto de situação atualizado sobre o Open Access (em particular na Europa) e reflete sobre as principais oportunidades e ameaças para o Acesso Aberto. Leitura recomendada, diria mesmo “obrigatória”, para todos os que se interessam pelo tema.

Autor: Eloy Rodrigues

Diretor dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho

By 17 de Setembro de 2012 0 Comments Read More →
No décimo aniversário da Budapest Open Access Initiative: novas recomendações para estabelecer o Acesso Aberto como padrão na comunicação científica

No décimo aniversário da Budapest Open Access Initiative: novas recomendações para estabelecer o Acesso Aberto como padrão na comunicação científica

Na sequência de uma reunião realizada este ano na Open Society Foundation, por ocasião do décimo aniversário da Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (Budapest Open Access Initiative) que pela primeira vez definiu o conceito, foram hoje divulgadas novas recomendações que visam promover e orientar o desenvolvimento do Acesso Aberto na próxima década.

As recomendações foram desenvolvidas por alguns dos principais ativistas do movimento de Acesso Aberto (Open Access, abreviado como OA) que trabalharam na última década para proporcionar ao público acesso irrestrito e livre à literatura científica e académica. Tive o privilégio de participar na reunião e nas discussões posteriores que acompanharam a redação deste documento.

As recomendações de Acesso Aberto incluem o desenvolvimento de políticas de Acesso Aberto em instituições de ensino superior e agências de financiamento, o licenciamento aberto das obras académicas, o desenvolvimento de infraestruturas como repositórios de Acesso Aberto e a criação de padrões de conduta para a publicação em Acesso Aberto. As recomendações estabelecem também uma nova meta de transformar o Acesso Aberto como o método normal e padrão para a distribuição de nova literatura científica com revisão por pares em todas as disciplinas e em todos os países nos próximos dez anos.

Autor: Eloy Rodrigues

Diretor dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho

By 12 de Setembro de 2012 0 Comments Read More →
A Escola Nacional de Saúde Pública do Brasil, dá um passo decisivo para disponibilizar a sua produção científica em acesso aberto para todo o mundo

A Escola Nacional de Saúde Pública do Brasil, dá um passo decisivo para disponibilizar a sua produção científica em acesso aberto para todo o mundo

Decorreu ontem, dia 11 de Setembro, na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz),  e enquadrada nas comemorações dos seus 58 anos, a cerimónia de lançamento da sua Política Institucional de Acesso Aberto ao Conhecimento e do Repositório de Produção Científica. Após a mesa redonda “Direitos autorais e acesso à informação, conhecimento e cultura” (na qual participei com uma apresentação sobre  “Dez anos da Budapest Open Access Initiative: o passado, o presente e o futuro do Acesso Aberto”) o diretor Antônio Ivo de Carvalho assinou a portaria que estabelece a Política Institucional de Acesso Aberto.

Com esta política,  a  ENSP constitui-se como a primeira instituição de saúde do Brasil a possuir uma política mandatória de acesso aberto,  juntando-se assim às instituições mais avançadas de todo o mundo que trabalham por  uma ciência aberta. Tenho esperança que este passo corajoso da ENSP seja seguido por muitas outras instituições no Brasil (onde já existem diversas iniciativas muito relevantes) e no mundo.  Desde logo, generalizando-se a toda a Fundação Osvaldo Cruz  (Fiocruz) que contempla uma Política de Acesso Livre ao Conhecimento Científico como objetivo estratégico no seu no Plano Quadrienal 2011-2014.

A apresentação da política da ENSP foi o culminar de um processo que se iniciou em Abril de 2011, com o lançamento de site com uma carta de apoio ao acesso livre e a realização de um  Seminário Internacional Acesso Livre ao Conhecimento, no qual tive também o prazer de participar.

O Press Release da ENSP sobre a cerimónia de ontem está disponível aqui.

Autor: Eloy Rodrigues

Diretor dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho

By 11 de Setembro de 2012 0 Comments Read More →
OASIS – Open Access Scholarly Information Sourcebook

OASIS – Open Access Scholarly Information Sourcebook

Geralmente, associamos a ideia de oásis a deserto, a algo que fornece um bem precioso onde ele não existe ao seu redor. Mas no caso deste OASIS – Open Access Scholarly Information Sourcebook – a história é quase a inversa. De facto, existe hoje uma grande abundância de recursos de informação sobre o Open Access, pelo que o grande valor do OASIS é apresentar uma excelente seleção de recursos básicos e essenciais, organizados de uma forma que me parece muito adequada.

O OASIS visa constituir-se como uma espécie de manual sobre o Acesso Aberto, que abrange o conceito, os princípios, as vantagens, as abordagens e os meios para alcançá-lo. O OASIS está organizado por públicos (Investigadores, Bibliotecários, Editores de revistas, Dirigentes académicos, Público em geral e Estudantes) e por tipos de conteúdos (Briefing Papers, Guides and Overviews, Video, Presentations, etc.).

Dois dos recursos incluídos poderão vir a merecer uma referência própria neste site num futuro próximo, mas ficam desde já aqui assinalados: o Open Access Map (um mapa que pretende representar o crescimento do Open Access no mundo e o Open Access Tracking Project (um feed de notícias sobre o Open Access).

Em síntese, o OASIS (http://www.openoasis.org) é um recurso de grande utilidade para quem se interessa ou trabalha com as questões do Acesso Aberto ao Conhecimento.

Autor: Eloy Rodrigues

Diretor dos Serviços de Documentação da Universidade do Minho

By 3 de Setembro de 2012 Read More →